Janeiro passa.
Fevereiro também.
O Carnaval chega com seu ritmo próprio…
E, quando percebemos, já estamos vivendo tudo outra vez.
A escola já voltou a pulsar.
Os encontros já estão acontecendo.
Os sentimentos já se misturam pelos corredores.
Talvez o Carnaval tenha sido apenas uma pequena pausa dentro desse movimento. Um tempo para respirar e, agora, registrar o que estamos vivendo.
Porque o recomeço, na escola, não começa depois do Carnaval.
Ele começa no primeiro reencontro.
No primeiro abraço.
No primeiro choro.
Reencontrar os educadores é como retomar uma conversa que nunca terminou.
Rever as famílias é perceber o quanto crescemos juntos.
Receber novas famílias e suas crianças é abrir espaço para novas histórias, novos jeitos, novos ritmos.
E junto com tudo isso… vêm os sentimentos.
Há o choro de quem sente saudade.
Há o silêncio atento de quem observa tudo pela primeira vez.
Há o corpo pequenino que estranha o espaço e procura, no olhar do adulto, alguma segurança.
Há o bebê que sente falta do cheiro de casa, do colo já conhecido, do aconchego que fazia parte da sua rotina.
E há também o desafio de encontrar novos colos.
Novos cheiros.
Novos vínculos.
Às vezes, a mãe não sabe se se alegra ou se se entristece ao saber que o bebê dormiu no colo da educadora.
Mas ali, naquele gesto, existe algo precioso: confiança sendo construída.
A criança que “não comia” come.
A que diz “não quero mais voltar” volta no dia seguinte.
O choro aparece depois de alguns dias, porque adaptação não é linha reta.
É novidade. Tudo é novidade para a criança.
E nós cuidamos.
Cuidamos acolhendo.
Cuidamos respeitando o tempo de cada um.
Cuidamos entendendo que despedidas também precisam ser reaprendidas.
O barulho da escola volta.
As risadas ecoam pelos corredores.
Os encontros acontecem no quintal, nas salas, nos pequenos grupos.
A rotina retorna, mas nunca é igual.
Porque crescer é movimento.
Às vezes leve.
Às vezes desafiador.
Mas sempre cheio de sentido.
É belo ver a vida sendo gerada, cuidada e acompanhada de perto.
É bonito perceber que a infância cresce diante dos nossos olhos, todos os dias.
Recomeçar, na escola, é confiar no processo.
É saber que cada choro carrega uma história.
E que cada vínculo construído é uma base segura para o mundo.
Seguimos, juntos.
Emanuela Pessoa
Diretora Escolar
Escola Pitiguari
Um olhar para a infância.

